Perspectivas de uso das células do sangue do cordão umbilical armazenadas

As células-tronco (CT) do sangue de cordão umbilical e placentário (SCUP) foram utilizadas pela primeira vez em 1989, no tratamento de uma criança que tinha leucemia e cuja irmã havia armazenado o SCUP. Desde então, elas têm sido usadas largamente para todas as doenças nas quais se usava unicamente as CT da medula óssea, com maior sucesso. Além disso, têm sido testadas em um número muito grande de doenças que vão desde as doenças autoimunes até a paralisia cerebral.

Considerando que o uso dessas células tem apenas 30 anos, é mais ou menos este o tempo que os médicos e pesquisadores da área possuem para testar sua estabilidade quando congeladas e descongeladas. Dr. Broxmeyer*, que participou do grupo que efetuou o primeiro transplante, publicou um belíssimo trabalho, em 2003, mostrando que após 15 anos de armazenamento as células do SCU, após descongeladas, estavam vivas e funcionais (Hal E. Broxmeyer e col. High-efficiency recovery of functional hematopoietic progenitor and stem cells from human cord blood cryopreserved for 15 years. PNAS  2003.vol. 100;no. 2: 645–650). Em 2010, o mesmo autor, em artigo científico de análise dos 21 anos, escreve que: ” a chave para a viabilidade dos bancos de SCUP é a capacidade de criopreservar e manter essas células congeladas por longo tempo, com a manutenção da viabilidade e funcionalidade após o descongelamento. O maior tempo de armazenamento, nestas condições, foi de 15 anos, mas nós determinamos recentemente que essas células podem ser armazenadas por, pelo menos 23 anos” ( Hal E. Broxmeyer. Umbilical Cord Transplantation: Epilogue. Seminars in Hematology, Vol 47, No 1, January 2010, pp 97–103).  Finalmente, em maio de 2011 seu grupo publica um artigo mostrando que as células-tronco do sangue de cordão umbilical após 23, 5 anos armazenadas, ao serem descongeladas, apresentam uma viabilidade superior a 80% e a mesma capacidade funcional das células frescas (Broxmeyer, H.E. et al. Hematopoietic stem/progenitor cells, generation of induced pluripotent stem cells, and isolation of endothelial progenitors from 21- to 23.5-year cryopreserved cord blood. 117: 4773-4777, 2011).

A Cryopraxis tem uma experiência de 21 anos de armazenamento e, por determinação das agências regulatórias, deve realizar anualmente o teste de viabilidade celular de uma parte do seu inventário (amostras teste), de forma randômica. Os resultados desta análise comprovam que a viabilidade de unidades armazenadas desde 2001 apresentam resultados similares àqueles das células armazenadas recentemente.

As células do sangue do cordão umbilical oferecem algumas vantagens sobre outras fontes de células-tronco, como facilidade de acesso, tempo de aquisição muito mais curto e menor incidência de doença do enxerto versus hospedeiro. De fato, as células do SCUP são imunologicamente “ingênuas”, o que ocasiona uma menor reação do enxerto contra o hospedeiro e maior possibilidade de “pega” do transplante.

A garantia de manutenção da qualidade do material armazenado está diretamente relacionada as boas práticas de manipulação celular, que envolvem desde a coleta até o armazenamento. O procedimento ideal para criopreservação de qualquer tipo de célula ou tecido requer a consideração de vários fatores, incluindo a taxa de congelamento, temperatura de armazenamento e processamento pós-descongelamento para citar alguns. Todas essas variáveis servem para evitar injúrias que, de outra forma, resultariam em perda de viabilidade e função.

O uso do sangue do cordão umbilical e placentário (SCUP) percorreu um longo caminho nesses 30 anos de pesquisas básicas e clínicas apoiadas por Instituições públicas e privadas. As pesquisas sobre a biologia das células-tronco presentes no sangue do cordão foram fundamentais para nossa compreensão dos mecanismos celulares e moleculares envolvidos e para o desenvolvimento de novas estratégias na medicina regenerativa. Mais de 40.000 transplantes com o uso do SCUP foram realizados, tanto em crianças como em adultos, para o tratamento de cerca de 80 doenças diferentes.

Dra.Janaina J.dos Santos Machado

Diretora Técnica da Cryopraxis Criobiologia