29/05/2013

Tratamento de paralisia cerebral com sangue de cordão umbilical

Primeira terapia celular autóloga para paralisia cerebral causada por Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica em criança após parada cardíaca – Tratamento individual com sangue de cordão umibilical*.

Os Drs. A. Jensen e E. Hamelmann da Universidade de Bochum na Alemanha acabam de publicar o relato de um caso de uso, com sucesso, das células do sangue de cordão umbilical de uma criança com paralisia cerebral.

Os pesquisadores, baseados em evidências experimentais desenvolvidas há mais de 7 anos em animais e nos dois últimos dois anos em crianças, resolveram infundir as próprias células do sangue de cordão umbilical da criança na tentativa de restabelecer suas funções vitais. A criança de dois anos e meio de idade tinha um desenvolvimento normal até sofrer uma parada cardíaca que resultou em paralisia cerebral passando a ter estado vegetativo persistente.

Nove semanas após a parada cardíaca ela recebeu, por via intravenosa, 575 milhões de células mononucleares de seu próprio sangue de cordão que estava criopreservado. O acompanhamento foi feito por 2, 5. 12, 24, 30 e 40 meses. Dois meses após a infusão o controle motor havia melhorado a paralisia espástica havia sido grandemente reduzida, ela sorria ao brincar e era capaz de sentar e falar palavras simples. Aos 40 meses, alimentava-se independentemente, engatinhava, e se expressava claramente com vocabulário superior a 200 palavras.

Segundo os autores a neuroregeneração funcional observada se deveria a infusão das células mononucleares.

A lesão cerebral hipóxico-isquêmica do recém-nascido é uma das maiores causas de mortalidade e morbidade neurológica em crianças. Estatísticas sugerem uma incidência de asfixia em 2-4 por 1.000 nascimentos a termo. No Brasil estima-se que a prevalência de asfixia neonatal seja de, aproximadamente, 2% dos nascidos vivos.

Além disso, a taxa de mortalidade dos recém-nascidos asfixiados no período neonatal é de 20-50%, sendo que mais de 25% dos sobreviventes podem exibir incapacidades neuropsicológicas permanentes, tais como retardo mental, paralisia cerebral, epilepsia e dificuldades de aprendizagem. Não há até o momento uma terapia eficaz para os danos decorrentes da encefalopatia hipóxico-isquemica, independente da causa.

A terapia celular vem sendo explorada por ser uma atual e promissora abordagem de tratamento para doenças neurológicas graves e ensaios clínicos com o uso de células tronco de diferentes fontes estão registrados no www.clinicaltrial.org.
Em setembro de 2012 estudo piloto demonstrou a segurança do uso de células do sangue de cordão umbilical autólogo em 180 crianças com encefalopatia hipóxico isquêmica (www.nature.com/bmt/journal/vaop/ncurrent/full/bmt2012169a.html).

Esta publicação do acompanhamento por longos períodos das crianças tratadas com suas células armazenadas, demonstre a efetividade destas células no tratamento de lesões neuronais só vem a corroborar com os indícios do futuro promissor do uso das células-tronco adultas em diferentes doenças.

* A.Jensen and E.Hamelmann First Autologous Cell Therapy of Cerebral Palsy Caused by Hypoxic-Ischemic Brain Damage in a Child after Cardiac Arrest—Individual Treatment with Cord Blood. Case Reports in Transplantation.2013. (http://www.hindawi.com/crim/transplantation/2013/951827/)

 

Foto: Divulgação / Hospital Universitário de Bochum