29/06/2015

Terapia celular e terapia genética: unidas pela cura

P_Terapia_GeneticaeCelular

Maria Clara com apenas quatro anos e meio de idade já pode se orgulhar de ter realizado um grande feito: salvou a vida da irmã. A menina foi gerada a partir de um embrião selecionado em um tratamento de fertilização in vitro. A opção dos pais pela genética preventiva foi a solução encontrada para gerar um bebê, coletar células-tronco saudáveis do sangue do cordão umbilical e transplantá-las na filha mais velha, Maria Vitória, que nasceu com talassemia major¹.

A seleção buscou embriões sem a doença e compatíveis para o transplante. O procedimento trazia uma chance de até 90% de cura para Maria Vitória. Para isso, quando a mais nova nasceu, as suas células-tronco do sangue de cordão umbilical foram colhidas e congeladas.

Esse caso fez parte de um estudo inédito e premiado no Brasil, conduzido pela Chromossome Medicina Genômica e Fertility Medical Group, que utilizou técnicas que viabilizaram a concepção de um bebê saudável, com genes totalmente compatíveis para um transplante de medula óssea a partir das células-tronco do sangue de cordão umbilical. Esse foi o primeiro caso na América Latina de seleção de embriões livres de doenças genéticas e compatíveis para um transplante.

O geneticista Ciro Martinhago, responsável pela concepção de Maria Clara, diz que a experiência bem-sucedida abriu caminhos para outros pacientes. “O caso das Marias foi o primeiro e agora tenho 20 casos semelhantes que já estão com o processo de reprodução de embriões selecionados em curso”, afirma o especialista.

O procedimento é indicado para diferentes doenças genéticas, que afetam um fragmento de um gene, como é o caso da talassemia e anemia falciforme ou um cromossomo completo, como é o caso da Síndrome de Down e doenças ligadas ao sexo, como o X-frágil, entre outras.

As vantagens das células-tronco do sangue de cordão umbilical

Assim como no caso de Maria Clara e Maria Vitória, as células-tronco do sangue de cordão umbilical são utilizadas para todas as doenças nas quais as células-tronco da medula óssea têm aplicação terapêutica. Quando comparadas a outras fontes, as células-tronco do sangue de cordão apresentam uma série de vantagens:

• Ausência de risco para o doador, uma vez que o método de coleta não é invasivo;
• Disponibilidade imediata das células-tronco para o tratamento;
• Células mais jovens por isso possuem maior sua capacidade de proliferação e diferenciação;
• 100% compatíveis com o doador;
• Menor necessidade de compatibilidade para doação a terceiros – as células responsáveis pela rejeição, no sangue de cordão, são ainda imaturas, incapazes de reconhecer o novo organismo como “estranho” a elas;
• Células mais saudáveis, pois ainda não foram expostas a agentes externos como vírus e radiações;
• Menor risco de transmissão de infecções.

¹Doença hereditária caracterizada por redução da taxa de síntese de uma das cadeias de globina que formam a hemoglobina, consequentemente devido as múltiplas transfusões de sangue observa-se uma presença anormal de ferro no organismo.

Maiores informações sobre talassemia major AQUI