01/06/2016

PARCERIA ENTRE CRYOPRAXIS E USP

Parceria viabiliza estudo inédito no Brasil para tratamento de Asfixia Neonatal

A asfixia é muito prevalente em nosso meio. Os dados nos mostram que em 2013 tivemos 3 milhões de nascidos vivos no país, e desses, 1 a 6 para cada 1.000 tem asfixia grave. Se colocarmos isso de modo mais palpável, podemos dizer que 1 a 2 recém-nascidos por hora tem asfixia grave no Brasil.

A Cryopraxis e o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) se associam para iniciar um estudo clínico que possibilitará um novo tratamento para crianças com hipóxia neonatal. Esse, consiste na infusão das células coletadas do sangue do cordão umbilical da própria criança.
O estudo, inédito no Brasil, foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) e Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP)., O pesquisador principal será o Prof .Dr. Marcelo Zugaib, Dra. Rossana Pulcineli Vieira Francisco e equipe do Departamento de Obstetrícia do HC-USP. Contará ainda com a colaboração do Dr. Werther Brunow de Carvalho, Dra. Vera Lúcia Jornada Krebs e equipe de Neonatologistas do mesmo Hospital.

A Cryopraxis, maior banco de células-tronco da América Latina, será a responsável pelo processamento das células- tronco a serem infundidas.

Nos Estados Unidos, mais de 300 recém-nascidos foram incluídos na pesquisa realizada na Universidade Duke, Carolina do Norte, pioneira no desenvolvimento de estudos para os casos de hipóxia neonatal. Esta pesquisa é liderada pela Dra. Joanne Kutzberg, reconhecida mundialmente como uma das maiores especialistas em terapia celular com o uso de células do sangue do cordão umbilical.

Em entrevista para a Rádio CBN, Dra. Renata de Araújo Monteiro Yoshida – Neonatologista do CTI Neonatal do Hospital de Clínicas da USPe integrante da equipe de pesquisadores envolvidos no estudo, diz “Nós já temos alguns tratamentos baseados em evidências para tentar fazer o que chamamos de neuroproteção, que é para tentar melhorar o prognóstico neurológico do paciente. Lá no Hospital das Clínicas, desde 2009 fazemos hipotermia terapêutica”.

Segundo a Dra. Renata, esse tratamento melhora muito o desenvolvimento neurológico, mas não é a solução de todos os problemas. É preciso outros tratamentos que se associem a esse. “A célula-tronco há bastante tempo tem sido utilizada principalmente para transplante, mas pensando num tratamento oncológico. Recentemente tem começado estudos de medicina regenerativa para lesões como – por exemplo – infarto, para melhorar os vasos do coração, lesões traumáticas de cartilagem de joelho, lesões neurológicas pós-derrame cerebral e agora também nos bebês que sofreram asfixia neonatal”, disse a neonatologista.

Sobre o estudo, a doutora completa “Estamos na fase I, que é de segurança. É um estudo que já foi realizado em outras universidades do mundo, mas é a primeira vez no Brasil.”

O estudo brasileiro seguirá um modelo semelhante àquele desenvolvido na Universidade de Duke. A iniciativa foi anunciada pela Profª Drª. Maria Helena Nicola, consultora científica da Cryopraxis, durante o XXIII Encontro Internacional de Neonatologia da Santa Casa de São Paulo, que ocorreu nos dias 13 e 14 de maio de 2016.

Fala da Dra. Renata de Araújo Monteiro Yoshida em depoimento para a Cryopraxis durante o XXIII Encontro Internacional de Neonatologia:

“A asfixia é muito prevalente em nosso meio. Os dados nos mostram que em 2013 tivemos 3 milhões de nascidos vivos no país, e desses, 1 a 6 para cada 1.000 tem asfixia grave. Se colocarmos isso de modo mais palpável, podemos dizer que 1 a 2 recém-nascidos por hora tem asfixia grave no Brasil.
A hipotermia terapêutica já é feita e recupera bastante a função neurológica dessas crianças, mas ainda não resolve o problema. A sobrevida sem paralisia cerebral desses bebês fica ao redor de 40% a 60%. Por isso, precisamos de outras terapias que se associem a essa e tenho muita expectativa com o uso da célula-tronco.”
Transcrição editada.
mãe-bebê