22/01/2015

Novas diretrizes para o tratamento da esclerose sistêmica com transplante de células-tronco autólogas

Em artigo publicado recentemente na revista Lancet (acesse o artigo clicando aqui) pesquisadores do Centro de Terapia Celular do Hemocentro de Ribeirão Preto, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP), propuseram novas diretrizes para a triagem de pacientes portadores de esclerose sistêmica que podem se beneficiar de transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH) como opção terapêutica.

A pesquisa sugere que para alcançar os melhores resultados com o TCTH em portadores de esclerose sistêmica é necessário realizar uma série de exames. “Estas avaliações, apesar de serem dispendiosas, demoradas e, no caso do cateterismo, invasivas, evitam a inclusão de pacientes graves demais. É possível ainda que todo este esse conjunto de avaliações seja exagerado, mas só futuros estudos poderão nos dar esta resposta”, pondera Maria Carolina Oliveira uma das autoras do trabalho.

Embora ainda considerados experimentais, os transplantes (TCTH) têm se consolidado como terapia celular eficaz para controlar doenças autoimunes, como a esclerose sistêmica. A patologia afeta a pele, o trato gastrointestinal, os pulmões e o coração. As alterações cardíacas podem ser de motilidade e causar arritmias. Tais alterações são muito pouco sintomáticas ou completamente assintomáticas.

Em casos graves da doença a taxa de mortalidade pode chegar a 50% em cinco anos. A melhor terapia convencional disponível só consegue evitar a progressão da doença em uma pequena parcela de pacientes. Assim, a terapia celular (TCTH) pode diminuir a mortalidade da doença, sobretudo com base nesta nova diretriz, que exclui pacientes com quadro cardíaco já avançado. Segundo Maria Carolina: “O transplante é uma terapia agressiva, mas que ocorre de uma só vez, ao contrário da terapia convencional que é mensal e dura anos além de causar efeitos colaterais como: náuseas, vômitos, queda de cabelos, infertilidade. O transplante como tratamento único pode contribuir muito para a qualidade de vida dos pacientes”.

Hoje Ribeirão Preto tem mais de 45 pacientes com esclerose sistêmica já transplantados. Com base nas conclusões apontadas, os pesquisadores programaram um novo protocolo, agora com a inclusão apenas de pacientes que não apresentem problemas cardíacos.

Pacientes com a doença em fase inicial em geral não possuem contraindicações para o transplante, o que possibilitará aos pesquisadores observar melhor o controle da doença, evitando sua progressão. “Esperamos assim diminuir a mortalidade associada ao transplante e, talvez, observar menos mortes por progressão da doença”, conclui a médica.

Ribeirão Preto tem um dos centros com maior número de pacientes transplantados para doenças autoimunes do país. Reconhecido por sua qualidade e experiência, o Centro de Terapia Celular do Hemocentro de Ribeirão Preto atrai o interesse de pesquisadores americanos e europeus em realizar estudos cooperativos com o Brasil.