02/06/2015

Tempo X Viabilidade das Células

O primeiro transplante com o sangue do cordão umbilical (SCU) foi realizado em 1988 e, desde então, a capacidade de criopreservar¹ e manter armazenadas as unidades de SCU se tornou um componente essencial para sua utilização no transplante de células-tronco hematopoéticas² (CTH). O uso do SCU como uma fonte de células-tronco continuou a crescer, e existem atualmente mais de meio milhão de unidades criopreservadas em todo o mundo.

Estas células podem ser coletadas e armazenadas durante anos antes de seu uso. Considerando que seu uso tem apenas 27 anos, é mais ou menos este o tempo que os médicos e pesquisadores da área possuem para testar sua estabilidade quando congeladas e descongeladas. Em 2011 o grupo liderado pelo Dr. Broxmeyer publicou um artigo científico mostrando que as células-tronco do sangue de cordão umbilical após 23, 5 anos armazenadas, ao serem descongeladas e testadas em laboratório e em animais, apresentam uma viabilidade superior a 80% e a mesma capacidade funcional das células frescas.³

Experimentos in vitro e em animais demonstraram que a duração do armazenamento não afeta o desempenho das células, entretanto, o impacto do tempo de armazenamento do SCU sobre o uso humano, ainda não havia sido claramente definido, até a publicação do trabalho do grupo de pesquisadores da Universidade Minnesota (Minneapolis, USA).

Neste estudo* foram analisadas 288 unidades de SCU, com tempo de criopreservação, que variou de oito meses a 11 anos, usadas para transplantes em crianças, de 1992 a 2013. Com esta análise, os autores procuraram determinar o efeito do tempo de armazenamento da unidade de SCU na capacidade de recuperação da medula óssea destes pacientes.

Ficou comprovado que o tempo de criopreservação não teve impacto sobre a recuperação das células, nem em sua viabilidade, tampouco na capacidade de recuperação da medula óssea, ou seja, não houve qualquer diferença nos resultados de transplantes entre uma unidade com tempo de armazenamento de oito meses ou de 11 anos.

Os resultados deste trabalho fornecem evidências para que os bancos públicos e privados de sangue de cordão umbilical continuem com o atual modelo de criopreservação, a longo prazo.

 

¹Criopreservar: Manter as  células a ultrabaixas temperaturas para que toda a sua composição permaneça inalterada e a sua viabilidade mantida por tempo indefinido.

² Células-tronco hematopoéticas: São células que possuem a capacidade de auto-renovação e diferenciação em diversos tipos de células e, originam as células sanguíneas adultas.

³ Broxmeyer, H.E. et al. Hematopoietic stem/progenitor cells, generation of induced pluripotent stem cells, and isolation of endothelial progenitors from 21- to 23.5-year cryopreserved cord blood  117: 4773-4777, 2011

* mitchell, R. , Wagner, J. , Brunstein , CG., qing cao , Mckenna , DH., Lund , TC., Verneris , MR. Impact of Long-Term Cryopreservation on Single Umbilical Cord Blood Transplantation Outcomes. Biol Blood Marrow Transplant 21 (2015) 50-54.