24/02/2015

Estresse infantil: um problema de saúde pública

Se você leu a notícia anterior, pode ver a relação entre estresse crônico, encurtamento do tamanho dos telômeros e a aceleração do envelhecimento. No entanto, o estresse crônico, causado por traumas, negligência familiar, fome, violência e abusos também afetam de maneiras profundas o desenvolvimento das crianças e, inclusive, os seus genes. O estresse infantil é tão grave que é considerado um problema de saúde pública.

Um estudo publicado na “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS), que mostrou que as consequências acarretam envelhecimento precoce e maior predisposição a doenças relacionadas. Os pesquisadores examinaram o DNA de 40 meninos de nove anos residentes em cidades dos Estados Unidos. Eles descobriram que aqueles que cresciam em ambientes problemáticos tinham telômeros, em média, 19% menores do que os demais. Foram levados em conta indicadores como estrutura familiar instável e com rendimento insuficiente.

Outros estudos apontam que as crianças podem ser vítimas do estresse, assim como os adultos. Segundo Elizabeth Blackburn e Elissa Epel, em artigo publicado na revista Nature (Too toxic to ignore. Nature, vol. 490.2012), o estresse começa a desgastar os telômeros na infância, e talvez mesmo antes de as crianças nascerem. Quanto mais violência as crianças tenham experimentado, mais curtos são os seus telômeros. Os efeitos do estresse no início vida se refletem na vida adulta.

Cientistas do Centro de Desenvolvimento da Criança da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, classificam o estresse em três tipos: estresse positivo, estresse tolerável e estresse tóxico. Sendo este último o mais grave, porque tem efeito prolongado no organismo associado à falta de suporte à criança.

Segundos os pesquisadores de Harvard, certos acontecimentos são os principais desencadeadores do estresse tóxico: frustração ou aflição frequentes, como brigas na escola ou na família, crítica e a desaprovação dos pais, excesso de atividades e o bullying. Assim como as situações únicas, de forte impacto, como a morte de alguém próximo, um acidente, a agressão física, o abuso sexual.

Entre os sintomas do estresse tóxico, estão: dores de cabeça e abdominais, pesadelos, voltar a fazer xixi na cama e a chupar o dedo, crises de asma, alergias, déficit de atenção ou hiperatividade, transtorno obsessivo compulsivo (TOC), dentre outros.

Crianças estressadas, então, estão mais vulneráveis às doenças. Mas é possível monitorar a criança observando-a sob três aspectos: seu corpo (se enxerga e fala bem, se os hormônios estão em níveis adequados); sua inteligência (se está adequada à idade); seu lado emocional (comportamentos e reações).

Fonte: O Globo e Época.