02/06/2015

Entenda a diferença entre intolerância e alergia ao leite

O leite, uma importante fonte de proteína e cálcio, pode ser o vilão na vida de crianças que não podem tomá-lo devido à alergia ao alimento ou intolerância à lactose. Essa restrição pode deixá-las com deficiência dessas substâncias, essenciais para o desenvolvimento. Entenda a diferença entre os dois casos e saiba como contorná-los.

A primeira diferença entre esses dois problemas está na substância do leite – ou seja, a alergia está relacionada à proteína do leite de vaca enquanto a intolerância está ligada ao açúcar do leite, que é a lactose.

Intolerância à lactose

A intolerância ocorre quando o organismo não produz quantidade suficiente de uma enzima digestiva chamada lactase, responsável por quebrar o açúcar do leite (lactose). Neste caso, dependendo da quantidade de leite ingerida, a lactose chega ao intestino grosso e logo é fermentada por bactérias, causando gases, barriga inchada, náuseas e diarreia. Estima-se que entre 40% a 70% da população seja intolerante. Os sintomas relacionados aos distúrbios gastrointestinais em crianças podem levar a perda de peso, desnutrição e até pôr em risco a vida daquelas que são menores de dois anos de idade.

Em recém-nascidos, a intolerância à lactose é rara, mas, nesse caso, o bebê já nasce sem produzir a lactase. É o quadro mais grave da doença, capaz de impedir, até mesmo, o aleitamento materno. O problema pode ser descoberto com um teste genético, onde o sangue é coletado para verificar se há alguma mutação em relação à produção da enzima.

Segundo o médico geneticista, Ciro Martinhago, o diagnóstico precoce desta incapacidade, total ou parcial, para digerir a lactose é importante para evitar o desconforto dos bebês. “Quanto mais cedo os pais descobrirem se o filho tem intolerância à lactose, melhor para o bebê. A criança pode sofrer muito até que a intolerância seja detectada e corre o risco, em casos extremos, de ser internada na UTI”, alerta Martinhago.

Em crianças maiores, a doença pode ser detectada através do seguinte exame: a criança deverá ingerir, em jejum, uma dose de lactose diluída em água. Após algumas horas, amostras de sangue são coletadas e indicam os níveis de glicose absorvidos pelo organismo (a partir da quebra da lactose).

O tratamento para a intolerância é mais fácil. Após avaliação e liberação médica, a criança pode consumir iogurtes, queijos e até mesmo leites com baixo teor de açúcar. Outra opção é utilizar suplementos da enzima lactase, que estão disponíveis no mercado, em comprimidos ou sachês. Os pais podem acrescentá-los aos laticínios na hora das refeições, pois a fórmula ajuda na digestão da lactose.

Alergia

A alergia é uma resposta imunológica do organismo às proteínas presentes no leite industrializado (seja de vaca, cabra, búfala). Não há regra sobre o período de surgimento: pode ser no primeiro ano de vida ou depois. O leite materno é isento das tais proteínas e não oferece riscos à saúde do bebê.

Os sintomas aparecem rapidamente não só pela ingestão do leite, mas também pelo contato ou cheiro do alimento. Na pele, pode ocorrer coceira, vermelhidão, bolinhas e inchaço nos lábios, olhos e orelha; já nas vias respiratórias, pode aparecer tosse, chiado, falta de ar, inchaço na glote e até mesmo choque anafilático.

O diagnóstico pode ser feito de duas formas: um pode ser feito diretamente na pele e o outro por coleta de sangue. Ambos acusam o excesso de anticorpos específicos, o que aponta para a ocorrência do quadro alérgico.

Se o médico confirmar a doença, os pais são orientados a retirar a proteína animal do leite e seus derivados da dieta. Leite de soja é permitido. Os bebês, porém, precisam do alimento para ganhar calorias e ter um desenvolvimento saudável. Nesse caso, os médicos costumam prescrever o consumo de fórmulas hipoalergênicas, nas quais a proteína já vem fracionada, o que diminui o risco de reação alérgica. É importante que os pais, familiares e a escola fiquem atentos aos rótulos e orientem as crianças maiores (com dois anos ou mais) a não ingerirem nada que contenha leite, explicando os motivos e as consequências.

Fontes: Crescer, Bem Estar.