19/12/2014

Dieta mediterrânea aumenta a vida das mulheres, porque retarda a diminuição dos telômeros

Legumes, frutas, nozes, grandes quantidades de azeite e um copo de vinho com a refeição. A dieta mediterrânea soa como um ingrediente de um estilo de vida delicioso, e tem sido desde há muito considerado como uma das maneiras mais saudáveis de comer. Agora, os pesquisadores sugerem que a dieta também pode ajudar a retardar o processo de envelhecimento.

Pesquisadores da Universidade de Lund na Suécia sob a chefia do Dr. Nilsson (Nilsson PM. Mediterranean diet and telomere length. BMJ. 2014. 349:6843), mostraram que a dieta mediterrânea está associada com maior comprimento dos telômeros, considerado um marcador de envelhecimento mais lento.

Os telômeros são sequências de DNA situadas na extremidade dos cromossomas (veja a entrevista da hematologista da Cryopraxis, Dra. Carla Duarte). Eles ajudam a proteger a integridade física do cromossomo, impedindo-o de desgaste.

Os telômeros encurtam naturalmente com a idade. Seu tamanho é reduzido pela metade durante a progressão da infância à idade adulta, e novamente durante o início da velhice. Telômeros mais curtos estão associados com uma menor expectativa de vida e a maiores taxas de desenvolvimento de doenças crônicas relacionadas à idade.

 Pesquisas anteriores já haviam sugerido que seguir a dieta mediterrânea pode reduzir a mortalidade geral, a incidência de doenças crônicas – como as principais doenças cardiovasculares – e aumentar a probabilidade de um envelhecimento saudável.

– A dieta mediterrânea é caracterizada por:
– Alta ingestão de legumes, frutas, nozes, legumes, grãos não refinados;
– Alta ingestão de azeite, mas baixa ingestão de gorduras saturadas;
– Moderadamente elevado consumo de peixe;
– Baixa ingestão de produtos lácteos, carne e aves;
– Ingestão regular (mas moderada) de álcool (vinho com as refeições).

O estilo de vida, como a obesidade e as bebidas adoçadas com açúcar têm sido associados a telômeros mais curtos do que a média. Os principais componentes da dieta mediterrânica – frutas e vegetais – são conhecidos por seus efeitos anti-inflamatórias e antioxidantes, sugerindo que eles poderiam influenciar o comprimento dos telômeros de uma forma positiva.

A dieta mediterrânea está associada com telômeros mais longos

Em outra pesquisa a equipe do Brigham and Women Hospital e Harvard Medical School, liderada por Immaculata de Vivo (Mediterranean diet and telomere length in Nurses’ Health Study: population based cohort study, The BMJ, 2014) utilizou os dados do Estudo de Saúde das Enfermeiras para analisar se houve associação entre a adesão à dieta mediterrânea e maior comprimento dos telômeros.

Havia 4.676 participantes do estudo, todas mulheres de meia-idade, saudáveis que preencheram um questionário detalhado a respeito de sua alimentação e fizeram a determinação do comprimento de seus telômeros extraídos das células do sangue.

A cada participante foi atribuída uma pontuação que variou de 0-9 pontos, o que correspondia a quão perto a sua dieta se assemelhava da dieta mediterrânea.

Eles descobriram que a maior adesão à dieta mediterrânea foi significativamente associada com telômeros mais longos; uma mudança em um ponto ao longo de sua escala de pontuação na dieta correspondeu com 1,5 anos de envelhecimento dos telômeros, em média.