10/04/2017

Coração de bebê de 4 meses recebe células-tronco em cirurgia inovadora.

Técnica faz parte de um estudo que está sendo realizado com 30 bebês nos EUA

Coração de bebê de 4 meses recebe células-tronco em cirurgia inovadora.
Técnica faz parte de um estudo que está sendo realizado com 30 bebês nos EUA.

Uma cirurgia inovadora, utilizando células-tronco, foi realizada para reparar um defeito congênito no coração de um bebê. Josué Salinas, de 4 meses, nasceu com metade do órgão em tamanho muito reduzido e foi a segunda criança dos Estados Unidos a receber um tratamento inovador com células-tronco.

A técnica faz parte de um estudo em fase inicial, que comparará 30 bebês para analisar se a estratégia é segura e eficaz. “Pensamos que o coração jovem possa responder melhor ao tratamento”, afirma Sunjay Kaushal, chefe de cirurgia cardíaca no Centro Médico da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. O objetivo é injetar estas células na parte saudável do coração, de modo que ela tenha maior capacidade de bombeamento do sangue e compense a outra metade, comprometida pelo problema de nascimento. Os pais de Josué ainda não sabem se as injeções experimentais farão diferença, mas recorreram à técnica porque, desde o nascimento, o bebê ainda não tinha ido para a casa.

A cardiologista pediátrica Kristin Burns, do National Institute of Health, afirma que cerca de 65% dos bebês com a doença de Josué – síndrome da Hipoplasia do Coração Esquerdo (HLHS)– sobrevivem por até 5 anos e muitos atingem a vida adulta*.

Em outro trabalho semelhante e em um esforço para atenuar ou prevenir a progressão da insuficiência cardíaca, que leva à necessidade de transplante cardíaco, os médicos e pesquisadores Harold M. Burkhart e colaboradores, da Clínica Mayo, desenvolveram um protocolo, baseado em células do sangue do cordão umbilical da própria criança, para lactentes com síndrome da Hipoplasia do Coração Esquerdo. O primeiro caso relatado de Injeção intramiocárdica de células mononucleares do sangue do cordão umbilical em uma criança com HLHS submetidos a cirurgia paliativa, foi publicado no The Journal of Thoracic and Cardiovascular Surgery em 2015. O principal objetivo do estudo foi determinar a Segurança e viabilidade da infusão das células-tronco no miocárdio. Durante cirurgia paliativa planejada, eles aproveitavam para injetar células tronco no músculo cardíaco sob visualização direta. Embora o paciente tenha desenvolvido complicações pós-operatórias, esses eventos não foram atribuídos ao protocolo baseado em células. Um achado encorajador foi a melhoria progressiva na fração de ejeção ventricular direita no intervalo de 3 meses após a terapêutica baseada em células.

Imre J Pavo e Ina Michel-Behnke da Divisão de Cardiologia Pediatrica da Medical University of Vienna, Austria, em artigo de revisão, publicado em 2017*** concluem que o uso compassivo de células-tronco autólogas leva a, pelo menos, uma melhoria de curto prazo na função cardíaca e na estabilidade clínica na maioria dos pacientes pediátricos com doenças críticas.

Fonte:
*http://circres.ahajournals.org/content/120/7/1060
**http://www.jtcvsonline.org/article/S0022-5223(14)01602-X/abstract
***https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5329741/