30/05/2017

Células-tronco podem ser aliadas no tratamento de Linfoma de Hodgkin

O Linfoma de Hodgkin é um tipo de câncer raro que acomete três em cada 100 mil habitantes no Brasil

O Linfoma de Hodgkin é um tipo de câncer raro que acomete três em cada 100 mil habitantes no Brasil. O que o diferencia dos outros tipos de linfoma é a presença de um tipo característico de célula chamada de Reed-Sternberg, um linfócito B que sofreu mutação, transformando-se em célula cancerosa. O tratamento para a doença pode ser feito de diversas maneiras. Todo processo é dividido em fases, sendo que a primeira é a quimioterapia. A maioria dos pacientes responde bem à primeira etapa, que tem chance de êxito de 70 a 80%. Os outros 20 ou 30% recidivam, ou seja, voltam a apresentar a doença.

Estes pacientes continuam com o tratamento, na segunda fase, na qual a quimioterapia é conhecida como de resgate ou salvamento. Nos casos em que os pacientes sejam elegíveis, é seguido do transplante autólogo de medula óssea, utilizando células-tronco do próprio paciente.

Se mesmo assim não houver resposta ou voltar a ter a doença, há um terceira linha de tratamento, feita por meio de terapia alvo. De acordo com a hematologista Paola Tôrres, o Linfoma de Hodgkin pode surgir em diferentes partes do corpo. “É mais frequente nos gânglios linfáticos, localizados no pescoço, na região axilar e no mediastino, que é a região no tórax entre o coração e os pulmões onde ficam os linfonodos que drenam esses órgãos”, diz a especialista.
Os sintomas da doença são variados e se manifestam de acordo com o local em que afetam. De maneira geral, existe o aumento do volume dos gânglios linfáticos, febre, perda de peso, cansaço, coceira e perda de apetite. “Quando o linfoma afeta o tórax, por exemplo, pode provocar tosse, dificuldade para respirar e dores no peito. Mas, é preciso lembrar que os sintomas são muito similares a outras condições. Por isso, a avaliação do médico é fundamental”, orienta a médica.

Após diagnosticado, as opções de tratamento dependerão de diversos fatores. Entre eles, a extensão do problema, o estado clínico e a idade do paciente, e o tipo e a localização do linfoma.

Entenda como funciona cada tratamento mencionado:

Quimioterapia: são usados medicamentos que destroem as células tumorais. Normalmente, eles são administrados por via venosa, em ciclos, podendo ser combinados com a radioterapia
Radioterapia: são radiações que destroem ou inibem o crescimento das células cancerosas que formam o tumor. O linfonodo acometido é irradiado com doses fracionadas. Para o Linfoma de Hodgkin, esse tratamento é realizado muito cuidadosamente para que a radiação seja feita exatamente no local necessário.

Transplante de medula óssea: é considerado o reabastecimento de células saudáveis na medula óssea do paciente. Nos casos de Linfoma de Hodgkin, normalmente, essa opção é utilizada quando a doença permanece mesmo após a quimioterapia e/ou radioterapia com a combinação de medicamentos. O transplante pode ser feito com as próprias células-tronco do paciente, considerado transplante autólogo, ou por meio de um doador, chamado de transplante alogênico

Uso de terapias alvo: no Brasil, existe apenas um medicamento aprovado como terapia alvo para o tratamento de Linfoma de Hodgkin, cuja substância ativa é chamada brentuximabe vedotina. A droga tem como alvo apenas as células cancerígenas, diferente do que acontece com a quimioterapia, que não tem a mesma seletividade e especificidade no seu mecanismo de ação

Fonte: Revista Encontro