11/11/2014

Célula-tronco do sangue de cordão pode diminuir a gravidade das sequelas da anóxia perinatal

A anóxia perinatal, falta de oxigênio na criança, é uma das principais causas de óbito de recém-nascidos em todo o mundo e é responsável por sequelas graves e muitas vezes irreversíveis. Segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde, divulgados em 2011, cerca de 2% dos nascimentos no Brasil apresentam algum grau de asfixia.

Com o intuito de reduzir as taxas de mortalidade decorrentes da anóxia perinatal  (também chamado de encefalopatia hipóxico-isquêmica – EHI) e amenizar as sequelas, tem-se buscado o desenvolvimento de medidas neuroprotetoras ou abordagens terapêuticas que restaurem o tecido lesionado.

Estudos clínicos com a administração de células-tronco de sangue de cordão umbilical (SCU) do próprio indivíduo (uso autólogo) estão em andamento e já obtiveram resultados preliminares que indicam melhora do quadro clínico geral do paciente.

Na Universidade de Monterey, no México, e nas Universidades da Geórgia e de Duke, na Carolina do Norte, Estados Unidos, são realizados estudos com recém-nascidos e crianças que sofreram falta de oxigenação grave. Os estudos estão sendo aplicados em crianças que tiveram comprometimento da coordenação motora, paralisia cerebral, epilepsia e deficiências mental, auditiva e visual.

Nos Estados Unidos, mais de 300 pacientes já foram incluídos na pesquisa  liderada pela médica Joanne Kurtzberg, do setor de neuropediatria da Universidade de Duke, pioneira naquele país no desenvolvimento de um estudo clínico piloto para casos de anóxiaperinatal. As crianças tiveram suas células de sangue de cordão umbilical armazenadas após o nascimento e se beneficiaram com a terapia celular autóloga. Resultados preliminares mostraram a segurança do procedimento e há previsão de encerramento do estudo em breve, quando serão analisados dados de eficácia do tratamento.

Os estudos podem ser consultados no banco de dados de estudos clínicos internacionais (www.clinicaltrials.gov) sob os números “NCT00593242”, “NCT01072370” e “NCT01506258”.