03/08/2016

Celebrado convênio entre Unifesp , Universidade do Sul da Flórida e Cryopraxis

Em acordo, Unifesp cede a empresa Cryopraxis a responsabilidade pelo desenvolvimento de testes clínicos com células-tronco para tratamento de angina refratária.

 

 

Um convênio celebrado entre a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a Universidade do Sul da Flórida (USF) e a empresa Cryopraxis promete trazer grandes avanços à medicina cardiovascular. O documento transfere à Cryopraxis a responsabilidade pelo desenvolvimento de testes clínicos com células-tronco para tratamento da angina refratária, doença que registra 150 mil novos casos a cada ano no Brasil.

Trata-se da continuidade de um produto inovador, cuja patente já foi concedida nos Estados Unidos e na Rússia e pedidos de patente correspondentes encontram-se em análise pelos órgãos de Propriedade Intelectual competentes em diferentes países, inclusive pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) no Brasil.

Desenvolvido por pesquisadores das três instituições, o estudo foi realizado com pacientes entre 53 e 79 anos de idade que apresentavam problemas nas artérias coronárias e não respondiam aos tratamentos clínicos convencionais.

A angina refratária é caracterizada pela obstrução dos vasos sanguíneos que irrigam o coração. O tratamento hoje é feito com medicamentos (aspirinas e vasodilatadores) e cirurgias.

No procedimento – denominado ReACT®, as células são retiradas da medula óssea do próprio paciente, eliminando o risco de rejeição. Em seguida, são preparadas em formulação específica para serem injetadas diretamente nas áreas afetadas do músculo cardíaco. A principal característica dessas células é a criação de novos vasos sanguíneos e a regeneração tecidual de tecidos isquêmicos.

“O ReACT® formou novos vasos sanguíneos e, assim, aumentou o fluxo de sangue no coração, eliminando os sintomas na maioria dos pacientes, como dor intensa, cansaço extremo e limitações físicas que, até então, não tinham opção terapêutica eficaz. O tratamento é realizado em apenas um dia.”, explica o Dr. Nelson Hossne, professor adjunto de Cirurgia Cardiovascular da Unifesp.

 “A angina refratária é uma condição de alto custo social e econômico. Há dez anos, este estudo com células-tronco, e outros pelo mundo, estavam na fase de testes em animais. Com mais esse avanço no projeto, em breve, o produto estará presente no arsenal terapêutico de profissionais de saúde”, destaca Eduardo Cruz, presidente da Cryopraxis.