11/11/2014

Autismo: células-tronco de sangue de cordão podem ajudar no tratamento

Estudos mostram que transplante de células-tronco do sangue do cordão umbilical pode proporcionar melhoras nos sintomas da síndrome 

Estão sendo realizados, em diversos países, estudos clínicos sobre o uso de células-tronco no tratamento de autismo. Um deles, desenvolvido com pacientes do Shandong Jiaotong Hospital e do Shandong Rehabilitation Therapy Center, na China, mostra que o transplante de células-tronco de sangue de cordão umbilical pode trazer melhoras em sintomas comportamentais de indivíduos com autismo.

A pesquisa, relatada em artigo publicado na revista Journal of Translational Medicine*, incluiu 37 crianças de 3 a 12 anos diagnosticadas com autismo. Quando comparados ao grupo controle, os pacientes submetidos à terapia obtiveram melhora nos parâmetros medidos 24 semanas após a infusão. Foram monitorados itens como relacionamento com outras pessoas, retraimento social, consciência corporal, letargia, hiperatividade, irritabilidade, dificuldades de fala, entre outros. A técnica mostrou-se segura no tratamento dos indivíduos.

O autismo é uma complexa síndrome que afeta três importantes áreas do desenvolvimento humano: comunicação, socialização e comportamento. Ele está associado a uma falha na regulação da maturação e capacidade de diferenciação dos neurônios. A restauração da função cerebral poderia ser conseguida pela infusão de células-tronco.

Trabalhos experimentais têm demonstrado que células-tronco transplantadas em animais são capazes de promover a recuperação funcional. Estudos mais recentes sugerem que determinados fatores são capazes de mobilizar células-tronco para o sangue periférico. Estas células mobilizadas são incorporadas ao cérebro de camundongos que sofreram danos crânio-encefálicos, melhorando o efeito do trauma. A capacidade de as células-tronco migrarem para os locais de lesão e participarem do processo de reparação dos tecidos é uma questão chave. A esperança dos pesquisadores é que a terapia com células-tronco possa restaurar a organização alterada do cérebro observada em indivíduos autistas.

Nos últimos anos, houve um aumento de casos de autismo relatados, segundo pesquisa realizada pelo Center of Diseases Control and Prevention (CDC) do governo dos Estados Unidos. O autismo afeta uma em cada 68 crianças com 8 anos de idade – índice considerado alarmante pelas autoridades. A idade de 8 anos foi escolhida pelo CDC porque, nesta faixa etária, os sintomas já são claros e o diagnóstico é preciso. Em crianças mais novas, o autismo pode ser confundido com outras síndromes. No Brasil, estima-se que existam cerca de 1 milhão de autistas, segundo o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).

Estudos clínicos

Se você quiser detalhes sobre alguns estudos em andamento sobre uso de células-tronco de medula óssea autólogas (da própria pessoa) e de células-tronco do sangue de cordão umbilical autólogo, você pode acessar os seguintes links:

http://www.clinicaltrial.gov/ct2/show/NCT01974973?term=Cell+Therapy+in+Autism&rank=1

http://www.clinicaltrial.gov/ct2/show/NCT01836562?term=Cell+Therapy+in+Autism&rank=3

http://www.clinicaltrial.gov/ct2/show/NCT01740869?term=Cell+Therapy+in+Autism&rank=17

http://www.clinicaltrial.gov/ct2/show/NCT01638819?term=Cell+Therapy+in+Autism&rank=18

http://www.clinicaltrial.gov/ct2/show/NCT02176317?term=Cell+Therapy+in+Autism&rank=19

* A íntegra do artigo está disponível em http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3765833/