24/03/2015

Aumento de casos de sarampo no Brasil: a vacinação é indispensável

O sarampo voltou a causar preocupação em locais aonde os registros de contaminação vinham caindo velozmente. Cerca de 50 anos após a criação de uma vacina para erradicar a doença, a enfermidade ressurgiu na União Europeia, nos Estados Unidos e no Brasil.

Há alguns anos, algumas famílias têm deixado de vacinar seus bebês baseadas em notícias veiculadas com informações equivocadas de que a vacina estaria relacionada a casos de autismo. A associação entre a vacina do sarampo e o autismo, supostamente provocado por ela, faz parte de um estudo científico de 1998 que já foi contestado e considerado fraudulento anos depois. As autoridades de saúde pública alertam que é preciso manter a vacinação com ampla cobertura para que a doença não volte em larga escala.

O sarampo é uma doença infecciosa aguda, de natureza viral, grave, transmissível e extremamente contagiosa, muito comum na infância. É transmitido diretamente de pessoa a pessoa, através das secreções expelidas ao tossir, espirrar, falar ou respirar. Os sintomas mais comuns da doença são febre, tosse seca, manchas avermelhadas pelo corpo, coriza e conjuntivite.

Edimilson Migowski, doutor em Infectologia e mestre em Pediatria, além de professor e chefe do Serviço de Infectologia Pediátrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e diretor do Instituto de Pediatria da UFRJ (IPPMG) explica a eficiência e segurança da vacina contra o sarampo.

– A doença está erradicada no Brasil? Como está a situação em outros países?

Dr. Edimilson Migowski: No Brasil, a doença não está erradicada. Comprovadamente, a última transmissão de sarampo dentro do país ocorreu em 2000. Depois disso, todos os casos registrados estavam relacionados a viagens ao exterior.

Dados mundiais mostram que, por ano, um milhão de pessoas morrem por causa do sarampo. A doença é considerada a que mais tem facilidade de transmissão.

É preciso que os países invistam em elevadas coberturas vacinais ou a população vai adoecer.

– As crianças são mais propícias ao contágio? Por quê?

Dr. Edimilson Migowski: Sim. As crianças são as principais vítimas da contaminação em regiões onde a doença atua. No momento, os estados do Ceará e Pernambuco são os mais afetados.

Já nas regiões onde a doença tem pouca atuação, os adolescentes e adultos jovens correm mais risco de contrair sarampo.

– A melhor forma de prevenção é a vacina? Qual é a idade indicada?

Dr. Edimilson Migowski: Sim. A vacina é a forma mais eficiente, segura e barata. Em regiões onde não há risco de contaminação, a vacina tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola) deve ser aplicada em duas doses: a primeira, quando a criança completar um ano de vida. E a segunda, três meses depois. Já em regiões onde há risco de contaminação, a vacina deve ser aplicada a partir dos nove meses.

É possível encontrar a tríplice viral gratuitamente na rede pública de saúde. Em clínicas particulares, a vacina tetraviral (contra sarampo, caxumba, rubéola e catapora) é comercializada.

– Qual o nível de segurança da vacina contra o sarampo? Há contraindicações e efeitos colaterais? 

Dr. Edimilson Migowski: A vacina é extremamente segura. No entanto, as crianças com alergia a ovo de galinha, gelatina e a qualquer componente da vacina deve evitar a vacinação. Outras exceções feitas são para as mulheres grávidas e aos indivíduos imunodeprimidos.

Os efeitos colaterais podem se manifestar, ou não, uma semana após a vacinação, através de febre e coriza.

– É possível que uma pessoa que passou da idade de vacinação seja imunizada? De que forma isso pode ser feito? No serviço público de saúde?

Dr. Edimilson Migowski: Sim. Adultos que não foram vacinados, não tiveram a doença na infância e não tem nenhum comprovante de vacina, devem procurar um posto de saúde público ou uma clínica particular para tomarem as duas doses.

– O senhor acha que a lenda que surgiu em 1998, com a publicação de um artigo científico na revista The Lancet, que sugeria haver uma relação de causa e efeito entre a vacina do sarampo e o autismo, pode ter prejudicado a imunização contra o sarampo?

Dr. Edimilson Migowski: Sim. Esse foi um fator principal, especialmente, na Europa e Estados Unidos. É preciso que a população entenda que quanto mais rara é a doença, mais segura é a vacina. A vacina tem mais benefícios que eventuais malefícios.

Ao se proteger, o indivíduo reduz a circulação do vírus e preserva a saúde de outros que não podem receber a vacina.

– Nos últimos anos surgiram novas vacinas. À medida que essas novas vacinas vão surgindo, os pais têm que esperar um tempo? Ou eles devem ir correndo levar a criança para vacinar?

Dr. Edimilson Migowski: Não é preciso esperar para vacinar. Uma nova vacina surge após em longo período de pesquisas e avaliação de órgãos reguladores. É mais fácil vacinar do que esperar o seu filho adoecer.

É importante que o poder público invista em saneamento básico e campanhas de vacinação para que os surtos de doenças não se alastrem.Os pais que tiverem dúvidas podem procurar informações com o Ministério da Saúde, Sociedade Brasileira de Pediatria e Associação Brasileira de Imunizações.