11/06/2012

Asfixia do recém-nascido é alvo de tratamento com células tronco de cordão umbilical

Lesões decorrentes da hipóxia neonatal poderão ser tratadas com células tronco do sangue de cordão umbilical. É o que indicam pesquisas clínicas desenvolvidas por diferentes instituições, como as universidades norte-americanas de Duke, na Carolina do Norte, e da Georgia; e o Hospital Universitário Dr. Jose E. Gonzalez, no México.  Em todos esses estudos, são usadas células autólogas (coletadas do próprio paciente) e, até o momento, têm sido registradas boas perspectivas de melhoras para as vítimas das lesões cerebrais.

As pesquisas encontram-se nos estágios 1 e 2, quando são avaliados os quesitos segurança e eficácia. A Universidade de Duke faz a infusão de células tronco do sangue de cordão umbilical em bebês vítimas de isquemia cerebral.  A doutora Joanne Kurtzberg, um dos nomes envolvidos no estudo e pioneira no transplante dessas células, assim resumiu o trabalho, em reportagem transmitida pela CBS News:

– Estamos avaliando se, dando para a criança suas próprias células tronco do sangue de cordão umbilical, que foram guardadas no momento em que ela nasceu, conseguimos corrigir os danos decorrentes da queda de oxigênio durante o parto.

O estudo da Universidade da Georgia está sendo desenvolvido há mais de dois anos e tem como foco crianças de 1 a 12 anos, com deficiências motoras causadas por paralisia cerebral. O Hospital Universitário Dr. Jose E. Gonzalez, no México, apresenta pesquisa já em fase final com crianças de 1 a 8 anos, também com lesões cerebrais causadas por hipóxia. Embora ainda inconclusivos, os estudos mostram uma recuperação surpreendente da maioria das crianças tratadas, em diferentes graus de intensidade.

CÉLULAS MODIFICADAS

Promissor também foi o resultado da pesquisa da Universidade George Washington, nos EUA, divulgado em dezembro de 2011. Constatou-se que células tronco do sangue de cordão umbilical de recém-nascidos vítimas de asfixia durante o parto têm a capacidade imediata de se diferenciar em tecido neural.

Foram coletadas amostras de sangue de cordão umbilical de 27 recém-nascidos vítimas de hipóxia, de 14 saudáveis e de mais 14 prematuros, mas que não tinham sofrido asfixia durante o parto. O resultado: entre as 27 amostras de sangue dos que haviam sofrido asfixia, 69% das células tronco já tinham se diferenciado totalmente em neurônios e 31% haviam se diferenciado parcialmente.

Esta diferenciação mostra o potencial das células tronco de cordão umbilical para tratar os problemas decorrentes da hipóxia, após um transplante autólogo nos recém-nascidos vítimas do problema.