29/11/2017

1º Dia Mundial do Sangue de Cordão Umbilical

No dia 15 de novembro foi celebrado o 1º Dia Mundial do Sangue de Cordão Umbilical (SCU). A data foi criada com o intuito de conscientizar sobre a importância do armazenamento do material, que é rico em células-tronco, e na maioria das vezes é descartado no momento do parto.

As células-tronco do sangue do cordão umbilical são uma alternativa à utilização da medula óssea, com a vantagem de estar imediatamente disponível quando necessárias. Após o nascimento do bebê, a placenta e o cordão umbilical são normalmente jogados fora ou os pais podem optar por armazenar o sangue do cordão umbilical do seu recém-nascido para uso futuro, em um banco privado ou ainda fazer a doação para um banco público. “Elas podem ser utilizadas no tratamento de mais de 80 doenças por sua capacidade de regeneração e reparação. Atualmente, mais de 35 mil transplantes já foram realizados no mundo”, afirma Dra. Maria Helena Nicola, coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento da Cryopraxis, maior banco de armazenamento de células-tronco de sangue de cordão umbilical do Brasil.

Hoje, existem mais de 400 estudos clínicos em andamento, com o SCU autólogo (utilizando as células da própria pessoa) ou alogênico (utilizando as células de um doador compatível), no mundo inteiro. Como por exemplo a pesquisa com infusão de células-tronco do SCU em pessoas com Autismo*, em que os pacientes tiveram uma melhora em itens como relacionamento interpessoal, consciência corporal, letargia, hiperatividade, irritabilidade e dificuldades de fala.Os resultados também são satisfatórios nos estudos com doenças autoimunes, como diabetes tipo 1 e esclerose múltipla. No Canadá, um estudo parou e reverteu a esclerose múltipla em longo prazo sem uso de outros medicamentos.

Dentre os estudos realizados no Brasil está uma recente parceria científica firmada entre o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e a Cryopraxis, que possibilitará o estudo da infusão de células-tronco do sangue de cordão umbilical autólogo em crianças que apresentam hipóxia neonatal no momento do nascimento. O estudo, inédito no Brasil, está sendo desenvolvido pela equipe do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-USP), sob a liderança do Prof. Dr. Marcelo Zugaib. A Cryopraxis é a responsável pelo processamento das células-tronco do sangue de cordão umbilical que serão infundidas nos pacientes pela equipe do hospital.

“A hipóxia, ou asfixia neonatal, é decorrente de complicações no parto que levam à falta de oxigênio no cérebro do bebê, podendo trazer sequelas neurológicas. Hoje, o tratamento é feito com hipotermia terapêutica”, explica a pesquisadora. Neste caso, o bebê é mantido a uma temperatura entre 33°C e 34°C por 72 horas e isso melhora o desenvolvimento neurológico desses pacientes, mas só aumenta em 61% as chances de a criança não ficar com paralisia cerebral. O transplante de células-tronco do sangue de cordão umbilical, testado em mais de 500 crianças em estudos clínicos internacionais, demonstra uma melhora no quadro clínico geral do paciente.